Ecoturismo

Foz do Iguaçu“Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações.” (Ministério do Turismo)

Definido inicialmente como "encontro do Homem com a Natureza em seu estado selvagem", o ecoturismo teve seu conceito ampliado para "modalidade turística que tem como motivação principal viajar para áreas naturais, pouco modificadas e livres de contaminação, com o objetivo específico de estudar, admirar e desfrutar ativamente de suas paisagens, plantas e animais existentes nessas áreas" (Ceballos-Lascuráin, 95).

No Brasil a atividade vem sendo discutida desde 1985. Na época era conhecida como turismo de natureza ou ecológico e era praticado por grupos esparsos, de forma pouco organizada. Em 1987 ocorreu a primeira iniciativa governamental de proceder a uma proposta de ordenação, com a criação da Comissão Técnica Nacional, da qual faziam parte, representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e do Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR e cujo objetivo era monitorar o Projeto de Turismo Ecológico.

Em 1992 realizou-se em Belize o Congresso Mundial de Ecoturismo, ocasião em que a atividade foi definida como "turismo dedicado à apreciação da natureza em forma ativa, com o objetivo de conhecer e interpretar valores naturais e culturais existentes, em estreita interação e integração com as comunidades locais e com um mínimo de impacto sobre os recursos a ser base de apoio aos esforços dedicados à preservação e manejo das áreas naturais onde se desenvolvem as atividades ou naquelas cuja prioridade seja a manutenção da biodiversidade".

O ecoturismo no Brasil era visto como "uma atividade ainda desordenada, impulsionada quase que exclusivamente pela oportunidade mercadológica, deixando, a rigor, de gerar os benefícios sócio-econômicos e ambientais esperados e comprometendo, não raro, o conceito e a imagem do produto ecoturístico brasileiro nos mercados interno e externo" (Grupo de Trabalho Interministerial MICT/MMA, 1994).
"O ecoturismo como componente lógico de desenvolvimento sustentável exige uma abordagem multidisciplinar, planejamento cuidadoso (tanto físico quanto administrativo), regulamentos e regras severas que garantirão a sustentabilidade da operação. Só por meio do desenvolvimento intersetorial o ecoturismo atingirá integralmente a sua meta. Governos, empresas privadas, comunidades locais e ONGs tem todos, um papel importante a cumprir. Acredito firmemente que cada país deveria estabelecer planos nacionais de turismo como parte de uma estratégia integral de planejamento que inclua o componente ambiental e as regras de ecoturismo. Câmaras nacionais de ecoturismo com representantes de todos os setores envolvidos no processo ecoturístico, tem sido criadas recentemente em vários paises, com resultados promissores" (Ceballos-Lascuráin, 95).

Em 1994 foi elaborado o documento "Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo", pelo Grupo de Trabalho Interministerial integrado por representantes do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, do Ministério da Educação e Cultura do IBAMA e EMBRATUR, contando com a participação de outros órgãos públicos, da iniciativa privada e de diversas ONGs brasileiras. "Nesse trabalho o ecoturismo utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações locais" (Barros, 95).

A valorização e o reconhecimento do potencial e da importância do ecoturismo começava a aparecer em ações governamentais e na iniciativa privada. Surgiam agências especializadas que organizavam encontros, debates, cursos de capacitação e treinamento, evidenciando um ritmo rápido de desenvolvimento das atividades ecoturísticas em nosso país. Durante o ano de 1995, a Prefeitura Municipal de Canela (RS) realizou a 1ª Bienal de Ecoturismo de Canela que reuniu representantes dos mais variados setores ligados ao ecoturismo, culminando com a criação do Instituto de Ecoturismo do Brasil-IEB. Desde então, a definição de ecoturismo proposta nas "Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo ", foi adotada pelo IEB, apenas com ligeiras modificações".

"O ecoturismo é a prática do turismo recreativo, esportivo ou educativo, que se utiliza de forma sustentável dos patrimônios natural e cultural, incentiva a sua conservação, promove a formação de consciência ambientalista e garante o bem-estar das populações envolvidas" (IEB, 95).

O rápido crescimento do turismo como fator econômico e social é um fenômeno recente, e do ponto de vista mercadológico, o ecoturismo, utilizando-se do patrimônio natural de forma sustentável, é um segmento que tem crescido a um ritmo considerável ao longo dos anos. Na sociedade moderna, o reconhecido direito ao lazer e ao progresso social abriu as portas do turismo a todas as camadas sociais. O turismo deixou de ser considerado artigo de luxo passando a ser um bem necessário à melhoria da qualidade de vida. Mas, para o desenvolvimento coerente do ecoturismo é necessário observar alguns fatores: a utilização racional dos potenciais, em especial os recursos naturais e a promoção de benefícios sócio-econômicos às populações residentes em áreas naturais de interesse turístico.

Estas áreas têm características próprias, apresentando restrições ou limites de alterações aceitáveis a ações antrópicas, devendo-se, portanto considerar as realidades locais no planejamento ecoturístico. A curiosidade, a pesquisa, a preocupação com o equilíbrio das espécies e do meio, passando a ser um sentimento universal e não mais monopólio dos técnicos e cientistas. Há um desejo maior de conhecer a natureza, e o turismo emerge como forma de levar o homem a um contato mais restrito com ela, de maneira orientada e conservacionista, sendo a Educação Ambiental um instrumento importante neste processo.

A conscientização da sociedade quanto às questões ambientais tem gerado crescente demanda por atividades de lazer e recreação em áreas naturais. Mas, a oferta de produtos ecoturísticos depende essencialmente da existência de áreas de significativo valor ecológico e cultural; da maneira como estas áreas são geridas; da existência de infra-estruturas adequadas e da disponibilidade de recursos humanos capacitados. E isto, só pode ser atingido através de amplo planejamento, integrado e participativo que considere:

•  o respeito às culturas nativas;

•  o uso sustentável dos recursos;  

•  a proteção da biodiversidade;

•  a integração do turismo nos planos e projetos comunitários com a participação da população residente;

•  o apoio às economias locais;

•  consulta a todos os interessados;  

•  as pesquisas de mercado;

•  as estratégias e mecanismos mercadológicos, e;

•  o estudo prévio para minimização dos impactos ambientais e sociocultural.


Histórico

Em 1987, a EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo, com a colaboração da SEMA - Secretaria Especial de Meio Ambiente e do IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, lançou o programa Turismo Ecológico, com o objetivo de reaproximar o homem da natureza.

Com base na proposta de Turismo Ecológico, várias opções foram desenvolvidas, entre elas, destacou-se: o levantamento dos atrativos brasileiros; a definição de critérios para a preparação de roteiros; a identificação das atividades ou formas de utilização racional dos atrativos para fins turísticos; o cadastramento de operadoras de turismo; o planejamento e a organização de cursos de especialização para guias, sendo que os estados ficaram incumbidos de desenvolver estas ações.

Em 1988, a PARANATUR - Empresa Paranaense de Turismo instituiu a Comissão Técnica Estadual de Turismo Ecológico com o objetivo de subsidiar a Comissão Técnica da esfera federal para o desenvolvimento do Programa Turismo Ecológico. Em 1989 houve uma interrupção do projeto, face a reestruturação dos órgãos envolvidos.

Em 1991, EMBRATUR e IBAMA assinaram convênio definindo trabalho conjunto na implantação da segunda fase do programa. Depois disso, houve diversas iniciativas isoladas de órgãos de governo visando o desenvolvimento do turismo em áreas naturais, destacando-se a promoção da educação ambiental; a identificação e divulgação de atrativos e roteiros, a assessoria a projetos ecológicos, entre outros, muitas vezes acarretando em paralelismos.


Observação de Aves (Birdwatching)

No Ecoturismo existem outros nichos, além dos já tradicionalmente conhecidos, como por exemplo: safáris fotográficos, contemplação de flora e a observação de aves em seu habitat natural ou birdwatching, uma atividade que começa a despontar no Brasil movimentando o mercado turístico que tem motivado fluxos internacionais com destino aos ecossistemas brasileiros.

Observar animais conhecendo seus hábitos e os registrando graficamente, foi sempre uma atividade de interesse do homem desde seus tempos de caverna. Fazia isso por necessidade de sobrevivência: deles se protegendo ou abatendo-os como caça. Diferentemente, o interesse despertado pelas aves através dos tempos foi o de admirar sua capacidade de voar, apreciar o colorido de sua plumagem ou o de ouvir seu mavioso canto, fazendo desta maneira que nenhum outro animal exercesse maior atração sobre o homem do que as aves.

Em todo o planeta existem na atualidade 10.000 espécies de aves e sua observação, que teve origem no Reino Unido, disseminou-se pela Europa, notadamente na Inglaterra e Alemanha, além da Austrália, Japão e  Estados Unidos, onde um quarto da população são birdwatchers e realizam-se eventos como Christmas Bird Count que mobiliza milhares de participantes.

No Brasil, que possui uma das maiores áreas naturais e uma das avifaunas mais espetaculares do planeta, com aproximadamente 1.800 espécies, a prática recentemente introduzida, restringe-se em grande parte a biólogos, ornitólogos e outros cientistas, em busca de espécies ainda não catalogadas e tende a se popularizar. Turisticamente já se constitui em um produto, sendo que a Amazônia e o Pantanal estão entre os roteiros preferidos dos birdwatchers internacionais que têm como destino o Brasil.

O Paraná está entre os estados mais ricos em aves em todo o Brasil, sendo ainda um dos que tem sua avifauna mais conhecida e pesquisada (o primeiro estudo foi realizado em 1912). O que chama a atenção, no entanto, é a quantidade de tipos que aqui escolheram para viver e, em geral, reproduzir formando importante patrimônio natural em qualidade e quantidade, o que pode ser comparada até com países inteiros, como o Paraguai, o Chile e a Guatemala, possuindo o Paraná somente pouco menos aves do que todos os Estados Unidos.

A região de Mata Atlântica também é mundialmente reconhecida pela sua grande biodiversidade, sendo que nela ocorre grande parte das 744 espécies observáveis no Paraná cuja ave-símbolo é a Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus). Em localidades como no litoral o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), nas ilhas, do Pinheiro e do Pinheirinho e o bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris) nas planícies alagadas e manguezais; na Serra do Mar, com espécies como a maria-catarinense (Hemitriccus kaempferi) e o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) em Vila Velha e Guartelá com o curiango-do-banhado (Eleothreptus anomalus) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus).

É ainda interessante registrar a facilidade com que se contemplam aves em Curitiba, aproximadamente 400 espécies povoam praças, parques como no Barigui que abriga em torno de 80 espécies e nas ruas arborizadas, onde milhares de sabiás-laranjeira, periquitos, bem-te-vis, quero-queros, rolinhas e ainda joões-de-barro, não passam despercebidos pelo observador mais atento que tem ainda o privilégio de contemplar espécies como: grimpeiro (Leptasthenura setaria) ave-símbolo de Curitiba, garça-branca-grande (Ardea alba), gavião-carijó (Rupornis magnirostris), guaxe (Cacicus haemorrhous), marreca-ananaí (Amazonetta brasiliensis), frango d’água (Gallinula chloropus), tangará (Chiroxiphia caudata), papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), além de tantas outras.

Em certos locais da capital paranaense, como nas imediações do Zoológico, é possível observar grande quantidade de aves aquáticas, dentre marrecas, maçaricos, garças de vários tipos e tapicurus e, em vários pontos do município, destacam-se verdadeiras raridades, procuradas por birdwatchers do mundo inteiro como o cisqueiro (Clibanornis dendrocolaptoides), o arredio-oliváceo (Cranioleuca obsoleta) e o grimpeirinho (Leptasthenura striolata), bastante comuns no ambiente urbano. Com sorte, será possível encontrar pássaros ainda mais raros como a tesoura-do-brejo (Gubernetes yetapa) e o sabiá-do-banhado (Embernagra platensis) que são, de certa forma, frequentes na Região Metropolitana.


Geoturismo

Entre os conceitos de geoturismo, destacam-se:

“Turismo sustentado nas características geográficas de um lugar, seu patrimônio ambiental, cultural e estético além do bem estar das populações envolvidas.” - National Geography Society

“Turismo que se apóia ou valoriza as características geográficas do lugar em foco, incluindo-se o meio-ambiente, cultura local, a herança estética e o bem estar da população local”. Travel Industry Association of America” (TIAA, 2003).

“A atividade de prover subsídios que possibilitem aos turistas adquirir o conhecimento necessário para compreender a geologia e geomorfologia de um local além da apreciação de sua beleza cênica”. HOSE (1997).

Existente em vários países da Europa e nos Estados Unidos, o geoturismo caracteriza-se por informações sobre os processos de formação e ambientes passados, em pontos de visitação paisagística.

O Brasil, com território de extensão continental aliado a geodiversidade dos seus sítios geológicos e paleontológicos, possui um extraordinário potencial geocientífico para ser explorado turisticamente.
O geoturismo no Paraná constitui-se em um dos mais novos segmentos do turismo que visa transformar a geologia em produto turístico e fornecer facilidades de serviços para que os turistas adquiram conhecimentos da geologia e geomorfologia de um sítio, fazendo do visitante mais que um mero expectador.
Pelo contato com a natureza e pela busca de experiências e sensações, o geoturismo caracteriza-se também por ser elo de ligação com o ecoturismo e o turismo cultural, cujo principal atrativo é o conteúdo de conhecimentos agregados ao destino turístico, como em museus, igrejas e conjuntos arquitetônicos. Em resumo, a proposta do geoturismo é associar o conhecimento geocientífico ao patrimônio natural.
A Mineropar - Minerais do Paraná elaborou o Projeto de Sítios Geológicos e Paleontólogos do Paraná, visando a geoconservação e a integração da geologia ao turismo. Iniciado em 2003, foram instalados nas regiões e nos principais atrativos do Estado, painéis com informações geológicas, além da elaboração de folhetos correspondentes aos painéis, dois Roteiros Geoturísticos e um banco de dados com mais de 700 sítios catalogados.

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