Descrição das peças, metais e esmaltes do Brasão

Escudo, era o complemento da armadura do cavaleiro medieval e dos guerreiros e se destinava a protegê-lo da investida das armas e instrumentos do inimigo. Recebeu, em determinada época, cores e desenhos emblemáticos de famílias, Estados e grupos sociais, passando a representá-los. O escudo dotado de cores e desenhos, denomina-se brasão ou escudo de armas.
Escudo cortado, é aquele que foi dividido por uma linha horizontal. A parte superior é denominada de Chefe e ocupa uma terça parte do escudo.

Goles, também denominado de vermelho ou sangue é esmalte, expresso no desenho monocromático por linhas verticais. Indica audácia, valor, galhardia, nobreza e domínio (segundo Ginanni); caridade, magnanimidade, valor, atrevimento, alegria, vitória, honra (segundo Asencio).

O lavrador, armado de alfanje, em atitude de trabalho, voltado para a direita (do brasão), representa a destinação da atividade agrícola do Estado. A semivestimenta que o cobre (calça, sapatos e chapéu) é o tipo de vestimenta do homem do campo. O alfanje simboliza o trabalho frutífero e as colheitas.

Prata, ou branco, é o segundo metal, sendo representado deixando em branco o espaço que cobre. Significa inocência, felicidade, pureza, humildade, limpeza, integridade (Asencio) e amizade, eqüidade, justiça (Guelfi).

Chefe, é a primeira das peças honrosas de 1ª ordem, é a parte superior do escudo e corresponde ao seu terço. Representa o elmo do cavaleiro. Antigamente era peça concedida ao cavaleiro que saía da batalha ferido na cabeça e assim era enobrecido na guerra com o sangue derramado a serviço de seu rei.

Blau ou azul, é expresso por linhas horizontais. É o segundo dos esmaltes, representa justiça, formosura, nobreza, perseverança, zelo, lealdade (Asencio) e firmeza incorruptível, glória e virtude (Guelfi).

Montes ou montanhas, representam possessões montanhosas e também grandeza, sabedoria, nobreza.
São os três terraços do planalto paranaense: o Oriental ou de Curitiba, o Central ou dos Campos Gerais e o Ocidental ou de Guarapuava. Como as altitudes são próximas a 900, 1215 e 1365 respectivamente, a representação dos tamanhos será em ordem ligeiramente crescente, do primeiro ao segundo e deste ao terceiro.

Sol, representado nascente, com raios retilíneos e ondulados alternadamente, é o símbolo da glória, eternidade, fama, unidade, verdade (Ronchetti).

Ouro, ou amarelo, é o primeiro dos metais e é representado por pontos. Indica nobreza, riqueza, esplendor, glória, poder, força (Guelfi). O ouro aplicado no sol representa poder, nobreza (Ronchetti).

Timbre é o ornamento exterior do escudo, representado pelo Gavião real, nhapecani, uiraçu (do tupi guirá - ave, açu - grande), da família Accipitridae - nome científico Harpia harpyja, anteriormente denominada por Lineu, em 1758, como Vultur harpyja e posteriormente Thrasaetus harpyia. É o maior dos acipitridas do mundo, atingindo quase 1 metro de comprimento e 2 metros de envergadura. Vive preferencialmente nas matas mais densas e altas, especialmente no cinturão nebuloso verde da porção oriental Sul do Brasil - a Floresta Atlântica. O cientista Rodolpho von Ihering, em sua obra "Dicionários dos Animais do Brasil", considera a harpia como ave majestosa, digna de figurar nas armas nacionais. Atualmente é desconhecida a sua situação no território paranaense, pois há mais de 10 anos não existe constatação de sua presença, acreditando-se achar-se extinta no Estado. O gavião é representado pousado no escudo, com as asas abertas (estendido) e com a cabeça de perfil e voltada para a esquerda (do brasão).

Suportes são ornamentos colocados ao lado do escudo de armas, como destinados à sua guarda, sustentação e apoio. Estão representados por ramos de mate - Ilex paraguariensis (Saint Hilaire) - à direita, e de pinho - Araucaria angustifolia (Bertoloni) - à esquerda, nas cores naturais, estando o mate frutificado, com frutos de cor parda escura ou preta. Os dois ramos são postos em aspa, isto é, cruzantes na ponta.
O mate e o pinho representam as riquezas naturais do Estado.
O mate, conhecido pelos guaranis pela denominação de Caá, é vegetal existente desde tempos imemoriais. Já antes da dominação espanhola, as zonas banhadas pelos rios Paraná, Uruguai e Paraguai apresentavam, dele, extensa e soberba vegetação que os índios guaranis utilizavam como bebida ordinária, pois lhe conheciam as propriedades estimulantes e estomacais. Era vegetal desconhecido na Europa e foi por muitos anos a grande riqueza do Estado que o exportava para os países do Prata, especialmente.

O pinho é ainda o vegetal símbolo e característico do Paraná. É vegetal alto, com 20 a 30 metros de altura, 1 ou 2 metros de diâmetro, bastante ramado, com redução gradual até o ápice, com folhas coriáceas de ponta aguda, formando matas secas do planalto, especialmente do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Sinople ou verde, como terceira cor é expresso por linhas diagonais, da direita para a esquerda do escudo. Simboliza vitória, honra, cortesia, abundância, amizade (Ginanni); esperança, posse (Asencio).

Fonte: "Símbolos do Paraná - Evolução Histórica - 1853 a 1984", do Prof. Ernani Costa Straube, Curitiba, Imprensa Oficial do Estado, 1987.
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