TURISMO CULTURAL

 

cultural

 

 

“Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.” (Ministério do Turismo)

 
Introdução

O homem é um ser compelido a aprender sempre mais a respeito de um número sempre maior de idéias e fatos, tanto por sua necessidade inata de evoluir como pelas inúmeras exigências de respostas às expectativas do grupo social a que pertence.

O turismo cultural é típico, pois acontece de maneira diversa dos demais tipos de turismo, que geralmente se caracterizam pela permanência e atividades que traduzem lazer, repouso e descompromisso.

As características básicas ou fundamentais do turismo cultural não se expressam pela viagem em si, mas por suas motivações, cujos alicerces se situam na disposição e no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em suas variadas manifestações, como: representações religiosas, rotas e roteiros, festivais de música, cinema e teatro, manifestações populares, lendas, exposições de arte, entre outras.

Na delimitação conceitual do turismo cultural, o termo cultura é natural, puro e amplo, pois abrange tanto a cultura própria do turista como o conjunto de hábitos, idéias e criações que ele pode assimilar ou não, em seu contato com novas realidades e convivências diferentes.

 
Histórico

"As origens étnicas do Paraná Tradicional são as mesmas dos outros estados brasileiros: portugueses, luso-brasileiros, mamelucos, negros e índios, estes últimos fator racial e cultural muito importante na formação do Paraná.

Os imigrantes aqui chegados, já encontraram aquelas cidades, vilas e freguesias que existiam no Paraná na época de sua emancipação política de São Paulo (1853). Assimilaram rapidamente a cultura tradicional brasileira, num esforço de sobrevivência, chegando até a ocorrer o fenômeno do "acaboclamento", onde teriam, perdido a maioria de seus traços culturais, isso nos meios rurais.

A cultura portuguesa aqui chegou através do paulista luso-brasileiro e mameluco. Os povoadores das duas primeiras vilas, Paranaguá e Curitiba, descendiam das mesmas famílias e eram aparentados entre si.

Essa cultura está na base de todos os costumes e hábitos, exteriorizando-se com mais realce nos fatos da linguagem e aos que se ligam às tradições religiosas, aos divertimentos e à educação familiar. Essa herança poderosa de quatro séculos está presente ainda no Paraná na vida familiar urbana e dominante entre os caboclos, herdeiros diretos dessas tradições seculares.

Ainda hoje vemos o caboclo tanto do interior como do litoral, prestativo e hospedeiro, sendo, no entanto, interessante assinalar diferenças observadas entre os habitantes dos planaltos e do litoral. O fandango, no litoral, demonstra a atualidade da cultura portuguesa. A cultura indígena está presente na denominação da maioria dos acidentes geográficos, dos vegetais, animais, de comidas e implementos necessários à manutenção. O artesanato desses implementos, suas técnicas de feitura e seu uso conservam os padrões. São trançados, cestarias, redes, armadilhas, todo um complexo que permitiu ao homem branco sobreviver no solo desconhecido." (Roselys Vellozo Roderjan)

 
O Paranismo

Origens e Pioneiros - Movimento nativista por exacerbado sentimento de justiça, por causa do abandono e desprestígio sofrido pelo Paraná, desde os tempos da Guerra do Paraguai até o caso do Contestado. (Prof. David Carneiro)
O vocabulário "paranismo" foi usado pela primeira vez em 1906, por Domingos Nascimento e o Centro Paranista foi criado em 1927 por Romário Martins.
Seu significado é "natural e amigo do Paraná", esforçado pelo seu progresso, prestígio e integridade paranista.
Paranista é então "todo aquele que tem pelo Paraná uma afeição sincera" e o Paranismo é o espírito novo de exaltação idealizador de um Paraná maior e melhor pelo trabalho, pela ordem, pelo progresso, pela bondade, pela justiça, pela cultura, pela civilização. (Romário Martins)

 
Manifestações Populares

O folclore musical está presente nas brincadeiras infantis desde as canções de roda aos brinquedos cantados por lendas e pequenas canções para o desenvolvimento da linguagem e do raciocínio. A viola sertaneja acompanha as toadas, as modas, os romances e desafios, onde a alma do caboclo extravasa toda a sua ternura, angústia, lirismo, seu senso de humor e sua filosofia de vida.

Fandango

Rico depositário de canções e ritmos é o fandango suíte ou reunião de várias danças que encerram ainda autêntica poesia cabocla nos cantos que as acompanham. É um translado da Península Ibérica. A melodia e os versos entoados no fandango pelos violeiros e pelo coro, contém originalidade, lirismo e humor, levando-nos a admirar a imaginação e a sensibilidade do nosso caboclo. Sua coreografia variada e difícil exige técnica, atenção, agilidade, preparo e calçados especiais para o sapateado.
As mulheres valsejam arrastando os pés, atentas as evoluções, enquanto os homens sapateiam num ritmo certo, seguindo o acompanhamento das violas e dos adufos. As mulheres chamadas damas ou folgadeiras (porque dançam na folga), encarregam-se da coreografia. Os cavalheiros ou folgadores batem o sapateado com tamancos de madeira de lei, que eles mesmos confeccionam. O acompanhamento é feito com duas violas de onze cordas, adufos (pandeiros) e uma rabeca.
O canto é puxado pelos dois violeiros ou cantadores, a duas vozes, com textos tradicionais ou improvisados. O fandango dançado nos sítios pode ser fandango de pichirão (quando os vizinhos auxiliam o dono da casa nos trabalhos da roçada ou de plantação) ou fandango de finta, organizado de um momento para outro, com coleta de dinheiro para a compra dos preparos, dançando na folga do sábado para domingo.

Congadas

Dramatização épica declamada, dançada e cantada ao som de instrumentos, com caracterização dos personagens. Trata de diálogos e lutas travadas entre duas embaixadas africanas, entremeados de louvores a São Benedito. Historicamente a congada realizou-se na Lapa desde a época do Império, sempre no Ciclo de Natal, particularmente no dia 26 de dezembro, incorporada à Festa de São Benedito.
O auto é cantado e acompanhado de instrumentos de percussão (tambores), uma rabeca e as vezes sanfona. São personagens da congada: o Rei, a Rainha, o Reizinho, o Príncipe, o Secretário, o Porta-Bandeira e mais seis a oito Fidalgos, todos pertencentes ao "campo de cima", isto é, à corte do Rei Ganaiame. No "campo de baixo", apresenta-se a Embaixada da Rainha Ginga, formada do Embaixador, do Cacique, do Sobrecacique e de doze Conguinhos (o exército da Rainha) que são crianças. No início, após a fala do Rei Ganaiame, seus Fidalgos se apresentam e dançam, em filas opostas, as danças das espadas e dos bastões.
Com a invasão ruidosa e impertinente do campo de baixo (outro extremo do local de apresentação) pela Embaixada da Rainha Ginga, o Rei Ganaiame se irrita e manda prender o Embaixador. Discutem todos e os Fidalgos simulam na sua movimentação uma guerra, depois da qual é preso o Embaixador. Porém, após suas explicações, é perdoado pelo Rei e despede-se da corte com os Conguinhos, que cantam e dançam no final. Retira-se a Embaixada e, após, o Rei, a Rainha, o Reizinho e os Fidalgos também saem, fechando o cortejo. www.prdagente.pr.gov.br

Boi-de-Mamão
Dramatização cômica com cantos e improvisos acompanhados de instrumentos. É constituído de "cenas", onde são apresentados personagens e animais fantásticos, que aumentam sempre o cortejo, anunciado pelos cantadores. O ponto culminante é a morte de Mateus que levou violenta chifrada do Boi e seu atendimento pelo Doutor que vem trazido pelo cavalinho.
O personagem mais popular é a Bernunça (animal fantástico que devora as crianças). Levado entre o Natal e o Carnaval, com mais freqüência no litoral. Apresenta como introdução a dança do pau-de-fita e a dança das balainhas.

Folias de Reis
Cantoria de louvação por foliões que personificam os Reis Magos. É realizada nos sítios próximos à localidade principal, entre 3 e 6 de janeiro, durante à noite. No dia 6 retornam e são recebidos nas casas do povoado, terminando a devoção com louvores cantados, em frente a um presépio, armado geralmente ao lado da igreja.

Romaria de São Gonçalo
Reza do "terço" pelo capelão e dança, realizada por duas fileiras opostas de homens e mulheres, que dançam em frente à imagem do santo, em pagamento de promessas. A dança é "puxada" pelo "mestre" e pelo "contra-meste" que cantam acompanhando-se de viola e pelo reforço vocal das "cantadeiras". A coreografia é complicada e divide-se em "passos".
Pode-se repetir várias vezes a dança ou as "voltas", dando oportunidade a outros fiéis de dançarem. Nos intervalos o devoto que ofereceu a casa, oferece café com "mistura".

Cavalhadas
Realizadas em Guarapuava as cavalhadas dramatizam a luta entre cristãos e mouros e os torneios medievais. Os cavaleiros dividem-se em dois grupos montados, vestidos com bonitos trajes azuis ou vermelhos. Após vários diálogos (encontro das embaixadas), simulam lutas mostrando sua perícia, portando revólveres, espadas e lanças. De lados opostos do campo estão os redutos dos reis cristãos e mouros. No final há paz, com a conversão dos mouros. Os cavaleiros se entregam a uma série de competições eqüestres (sortes), oferecendo os troféus às suas damas.
Duas bandas de música acompanham o espetáculo: a de "pancadaria" ou "infernal" apupa os faltosos e a outra toca em louvor dos vencedores.

BLOCOS

Apinagés
É um bloco carnavalesco de Antonina, constituído de quase uma centena de adultos e crianças imitando índios, empunhando arcos, flechas, lanças e machadinhas além de instrumentos musicais, como tamborins, surdos e outros, que acompanham seus cantos e evoluções.
Dramatizam lutas guerreiras, com variada coreografia e possuem vinte e seis cantos próprios. A tribo tem dois Caciques (um chefe e outro auxiliar), a Rainha, a Princesa e o Mascote. Foi fundado em Antonina com o nome de Bloco Guaraci, por Benedito Jesus Pereira, oriundo do Estado do Pará, em 1923. Depois de alguns anos desativado, retornou suas apresentações com o nome atual.

Bloco do Boi
Fundado em 1922, o Bloco do Boi-do-Norte apresenta-se no carnaval de Antonina e compõe-se do Boi, do Cavalo, do Nanico (pássaro de longo bico), que são os bichos do Boi, e mais o Toureiro, o Médico-Veterinário, duas Porta-Estandartes, que se revezam, e do restante do bloco, que é responsável pela batucada. O bloco possui melodias próprias e, entre as evoluções, apresenta a dramatização da morte e ressurreição do boi, antes de reiniciar o desfile.

 
Lendas

As lendas são narrações orais de caráter fantástico que, no entanto, procuram dar uma explicação a um fato real. Como em todo o Brasil, o lendário do Paraná, é muito rico, deixando transparecer a fértil imaginação do índio e do caboclo. Destacamos algumas lendas que dizem respeito a prodigiosa natureza, a sua formação histórica e cultural, ou ainda aos pontos turísticos:

 

Lenda das Cataratas do Iguaçu
Os índios kaingangue, que habitavam às margens do rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'boi um deus que tinha a forma de uma serpente e que era filho de Tupã. O cacique dessa tribo chamado Igobi tinha uma filha. Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nela se mirava. Devido a sua beleza, Naipi seria consagrada ao deus M'boi, passando a viver somente para o seu culto. Havia porém, entre os kaingangue, um jovem guerreiro chamado Tarobá, que ao ver Naipi por ela se apaixonou. No dia da festa da consagração da jovem índia, enquanto, o pajé e os caciques bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá fugiu com a linda Naipi numa canoa que seguiu rio abaixo, arrastada pela correnteza.

 

Quando M'boi soube da fuga de Naipi e Tarobá, ficou furioso. Penetrou então nas entranhas da terra e retorcendo o seu corpo, produziu na mesma, uma enorme fenda que formou uma catarata gigantesca. Envolvidos pelas águas dessa imensa cachoeira, a piroga e os fugitivos caíram de grande altura desaparecendo para sempre.

 

Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas e, Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira do abismo, inclinada sobre a garganta do rio. Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta onde o monstro vingativo, vigia eternamente as duas vítimas.

 


Lenda da Erva-Mate
Conta-se que Deus, acompanhado por São José e São Pedro, em uma longa jornada, pediu pousada na casa de um índio, já velhinho e muito pobre, que tinha como único bem, uma jovem e linda filha. O bom índio acolheu os incógnitos visitantes com carinho e hospitalidade. Querendo recompensá-lo, Deus disse ao ancião: - Vou premiá-lo pela generosidade de sua acolhida, tornando imortal, sua bela e inocente filha, a quem você quer tanto.

 

E assim, Caá-Yari, a jovem guarani, foi transformada na árvore de erva-mate, que desde então existe e por mais que a cortem, sua folhagem volta a brotar e a florir sempre mais vigorosa, permanecendo eternamente jovem. Caá-Yari tornou-se a deusa dos ervais protegendo suas selvas, favorecendo os ervateiros, abreviando seus caminhos, diminuindo-lhes o peso dos feixes e mitigando-lhes a árdua e cansativa jornada de trabalho nos ervais.

 


Lenda do Café
Certo mosteiro de Kaffa, situado na Abissínia à margem do mar Vermelho atual território etíope, possuía um rebanho de cabras, cuidado por um pastor chamado Kaldi, que era de inteira confiança dos frades. Ao pastorear os animais nas cercanias do convento, notou o astuto cabreiro, que horas depois de ingerir os frutos de um determinado arbusto verde-escuro, os caprinos tornavam-se ágeis e indóceis, sendo mais difícil que o habitual, reconduzi-los ao curral. Berravam, saltavam, corriam e, tal era o efeito da planta de misteriosos frutos vermelhos, que durante toda a noite, as cabras não repousaram, conservando-se despertas, como se não sentissem fadiga. Intrigado com a observação feita por Kaldi, o superior do convento, tratou de comprovar sua veracidade e mandando colher um punhado daqueles grãos cor-de-sangue, ferveu-os e em seguida serviu o líquido entre os frades, que se sentiram a partir de então, mais dispostos para as longas vigílias de oração.

 

Assim, segundo a tradição popular, estava descoberto o café, conhecido atualmente em todo o mundo pelas suas propriedades tônicas, e estimulantes e pelo seu inconfundível aroma e sabor.

 


Lenda do Pinheiro e da Gralha-Azul
Existem várias espécies de gralhas: pretas, pardas, reais (brancas), azuis de peito amarelo e outras. Porém só a gralha-azul é a replantadora natural da árvore símbolo do Paraná. A gralha era parda, como a maioria de sua espécie, todo dia implorava a Deus, muito humildemente: - Senhor sei que nada valho, nada sou. Não faço nada, além de barulho e de estragar as plantações. Gostaria de ser útil, de alguma forma.

 

Ouvindo o pedido daquele pássaro, o Criador entregou-lhe um pinhão, que a ave prendeu no bico, martelando-o contra um galho, até esfarripar a casca. Uma vez descascado, cortou-o pela metade, comendo a parte mais bojuda e depositando a restante em uma cova não muito funda e mal coberta de terra com a ponta voltada para cima, de maneira que quando a podridão consumiu a haste, o broto já tinha germinado, nascendo um lindo pinheirinho.

 

Assim fez a gralha com a semente que Deus lhe deu e continuou fazendo com todas as outras, cobrindo o Paraná de pinheirais. Querendo premiar o trabalho da esforçada ave, Deus cobriu-a com uma plumagem da mesma cor de seu manto celestial. E foi assim, que a gralha que era parda, tornou-se azul.

 


Lenda de Vila Velha
Itacueretaba, antigo nome do que conhecemos hoje por Vila Velha, significa aproximadamente "A Cidade extinta de pedra". Localizada à margem direita do rio Tibagi (o rio do pouso) na vasta e ondulada ibeteba (planície) que Saint-Hilaire, maravilhado, disse ser o paraíso do Brasil. Este recanto tinha sido escolhido pelos primitivos habitantes para ser o abaretama (terra dos homens), onde escolhiam o Itaimmareru, o precioso tesouro.

 

Tendo a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado por uma legião de Apiabas (varões), que eram escolhidos entre os homens de todas as tribos, treinados para desempenhar a honrosa missão. Os Apiabas tinham todas as regalias e distinções e desfrutavam de uma vida régia.

 

Era-lhes, porém, vedado o contato com as mulheres, mesmo que fossem de suas próprias tribos. A tradição dizia que as mulheres, estando de posse do segredo Abaretema, o revelariam aos quatro ventos e, chegada a notícia aos ouvidos do inimigo de seu povo, estes tomariam o tesouro para si. Tupã, o oniponente, deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre eles as maiores desgraças, se o tesouro fosse perdido.

 

Os Apiabas eram fortes, ativos e bravos. O seu único trabalho consistia em realizar jardins na terra daquelas planícies. Tupã não permitia que naquele recanto sagrado, houvesse o pecado.

 

Numa certa época, Dhui (em nossa língua corresponde a Luís) fora escolhido para chefe supremo dos Apiabas. Como todos os outros, tinha sido preparado, desde a mais tenra idade, para essa sagrada missão. Dhui, entretanto, não desejava seguir aquele destino, celibatário. Seu sangue achava-se perturbado pelo feminil fascínio (era um cunharapixara - mulherengo). As tribos rivais ao terem conhecimento da notícia, de pronto resolveram aproveitar-se da situação e escolheram entre uma de suas donzelas a que deveria ir tratar o jovem guerreiro e tomar-lhe o coração para arrebatar-lhe o segredo.

 

A escolhida foi Aracê Poranga (Aurora Bonita). Não lhe foi difícil conseguir a atenção do ardoroso Dhui e, pouco a pouco, ia entrelaçando a sua habilidosa teia, de tal modo que ele ficou completamente apaixonado e subjugado a seus pés. Ela já havia entrado no Abaretama com o consentimento de Dhui, que não teve como resistir-lhe ao desejo, pois Aracê era mulher e Dhui homem. Aracê traiu seus parentes em nome do amor, como Dhui traiu sua missão em nome de Aracê.

 

Numa tarde primaveril, quando aos Ipês (árvores de casca) já florescidos deixavam cair suas flores douradas numa chuva de ouro, Aracê, veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucuri, o licor de butiás, para embebedá-lo; mas o amor já dominava sua razão e ela também tomou o licor e ficaram à sombra do Ipê, langüidamente entrelaçados.

 

Tupã vingou-se desencadeando um terremoto que abalou a planície. A fúria divina convulsionou-se dentro do solo e a região foi destruída, trazendo morte e dor. A Abaretama completamente destruída tornou-se de pedra, o tesouro aurífero fundiu-se e liquidificou-se, e os dois amantes castigados ficaram um ao lado do outro petrificados. Ao seu lado ficou a causa de sua desgraça, a taça de pedra...

 

E, quando ali se passa ainda pode se ouvir ao vento a última frase de Aracê: -Xê pocê ô quê (dormirei contigo).
E foi assim que Abaretama tornou-se Itacueretaba.

 

A terra se fendeu: são as grutas que encontramos próximas à Vila Velha e o tesouro fundido é aquela lagoa que chamamos Lagoa Dourada, a qual, quando o sol lhe bate em cheio, ainda reflete o brilho aurífero. Dhui e Aracê, equivalente indígena de Adão e Eva, estão ainda hoje lado a lado circundados de Ipês descendentes daqueles que assistiram à morte dos dois. E os sobreviventes daquele povo partiram para outras terras onde a maldição de Tupã não os alcançasse. Fundaram um outro império, nessas terras imensas da América do Sul.

 
Atrativos Culturais

Variadas são as opções culturais que o Paraná oferece. São museus, parques temáticos, memoriais étnicos, entre outros. Os teatros são muitos e espalhados por todo o Estado. Vão desde construções de madeira, o "Teatro Barracão", até a imponência do Teatro Guaíra passando por edificações feitas em outros séculos, como o Theatro São João da Lapa e o Teatro Municipal de Antonina, além dos de arquitetura original, como o Teatro Paiol em Curitiba.

 

Diversidade de estilos é o que não falta, espaços culturais também não. Mas o símbolo maior de nossa cultura é a Universidade Federal do Paraná, a primeira do Brasil, fundada no início do século XX.

 

Castrolanda, Carambeí, Witmarsum, Entre Rios e Prudentópolis, são verdadeiras vilas européias, com bem cuidados jardins, flores nas janelas, apego de seus habitantes ao folclore e amor ao cultivo da terra...
É o nosso Paraná holandês, alemão, ucraniano.

 

Rico também em alternativas é o calendário de eventos culturais. São festivais folclóricos, de etnias, de música, de teatro e de inverno, reunindo todas as expressões artísticas.

 
Alguns Eventos Culturais

 

 

   ETNIAS

O Paraná é um dos estados com a maior diversidade étnica do Brasil. São alemães, poloneses, ucranianos, italianos, japoneses, povos que ajudaram a construir o Paraná de hoje.

As 28 etnias que colonizaram o Estado trouxeram na bagagem sua cultura, costumes e tradições. Os imigrantes chegaram com a promessa de encontrar a paz numa 'terra desconhecida, mas que prometia trabalho, terra, produção e tranquilidade.

 

etnia Japonesa
Imigração Japonesa

 

Imigração espanhola. A colonização maciça só começou depois da proibição do tráfico de escravos, o que aumentou a procura de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente no Norte do Estado.

Essa mão-de-obra assalariada passou a ser a melhor alternativa para o desenvolvimento da pecuária, até então era a principal cultura do Paraná, e das lavouras de café.

 

Etnia espanhola
Imigração espanhola

 

Imigração ucraniana. Foi a partir de 1850, quando o Paraná deixou de ser província de São Paulo, que o Governo local iniciou uma campanha para atrair novos imigrantes. Entre 1853 e 1886 o Estado recebeu cerca de 20 mil imigrantes. Cada um dos povos que colonizaram o Paraná formaram colônias nas regiões do Estado.

 

Imigração Ucaniana
Imigração Ucraniana

 


Alemães - Os alemães foram os primeiros a chegar ao Paraná, em 1829, fixando-se em Rio Negro. Mas, o maior número de imigrantes vindos da Alemanha chegou ao Estado no período entre as guerras mundiais, fugindo dos horrores dos conflitos. Esse povo trouxe ao Paraná todas as atividades a que se dedicavam, entre elas a olaria, agricultura, marcenaria, carpintaria, etc. E, à medida que as cidades prosperavam, os imigrantes passaram a exercer também atividades comerciais e industriais. Hoje, a maior colônia de alemães está no município de Marechal Cândido Rondon, que guarda na fachada das casas, na culinária e no rosto de seus habitantes a marca da colonização.
Os alemães estão concentrados também em Rolândia, Cambé e Rio Negro. A maioria deles chegou ao Paraná vindo de Santa Catarina.

Árabes - O primeiro lugar onde os árabes se instalaram no Paraná foi Paranaguá. Mais tarde eles foram para Curitiba, Araucária, Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, Serro Azul, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, que hoje tem a maior colônia árabe do Estado. Em Curitiba apareceram em maior número após a Segunda Guerra Mundial, quando chegaram a constituir cerca de 10% da população.
Uma das maiores influências dos árabes no Estado está na gastronomia, onde os temperos e condimentos passaram a ser incorporados a culinária de modo geral, além dos kibes e sfihas que até hoje estão presente na mesa dos paranaenses. Os imigrantes árabes se dedicaram principalmente à produção literária, arquitetura, música e dança.

Espanhóis - Os primeiros imigrantes espanhóis que chegaram ao Paraná formaram Colônias nos municípios de Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Wensceslau Brás. Entre 1942 e 1952 a imigração espanhola tornou-se mais intensa. Novos municípios, principalmente na região de Londrina, foram formados por esses imigrantes. Eles desenvolveram atividades comerciais, artesanais e relacionadas à indústria moveleira.

Holandeses - Os primeiros holandeses chegaram no Paraná em 1909, instalaram-se em uma comunidade próxima a Irati. Algumas famílias acabaram voltando para a Holanda, outras foram para a região dos Campos Gerais onde fundaram a Cooperativa Holandesa de Laticínios, em 1925. A Cooperativa trouxe a consolidação da colônia de Carambeí. A Castrolanda é a povoação mais recente de holandeses na região.

Índios - Na época do descobrimento, em 1500, o Brasil era habitado por tribos indígenas, qsue viviam espalhadas por todo o território nacional. No Paraná, o habitantes primitivos também eram os indígenas que formavam grandes grupos ou tribos, os Jê ou Tapuia e a grande família dos Tupis-Guarani. Os Carijó e Tupiniquim habitavam o litoral; os Tingüi, a região onde hoje é Curitiba; os Camé, a região onde hoje é o município de Palmas; os Caigangue e Botocudo habitavam o interior do Paraná. Os primeiros caminhos do Paraná foram feitos pelos índios e usados pelos bandeirantes para penetrar no território: Caminho de Peaberu, Caminho da Graciosa, Caminho de Itupava e Estrada da Mata.

Italianos - Sem dúvida os italianos foram os que ocuparam o primeiro lugar nas imigrações brasileiras. No Paraná eles contribuíram muito trabalhando nas lavouras de café e, mais tarde, em outras culturas. A principal concentração desses imigrantes no Estado está na capital, Curitiba, em Morretes, no litoral, e nas cidades de Palmeira e Lapa, onde existiu a colônia anarquista de Santa Cecília.Os italianos contribuíram também na indústria e na formação de associações trabalhistas e culturais.

Japoneses - Os imigrantes japoneses se fixaram no Norte Pioneiro, trazendo a tradição da lavoura. Como, porém, desconheciam técnicas agrícolas relativas às culturas tropicais, se dedicaram a piscicultura, horticultura e fruticultura na economia regional.
Alguns dos produtos introduzidos no Estado pelos japoneses foram o caqui e o bicho da seda. Maringá e Londrina são as cidades paranaenses que concentram o maior número de japoneses. Os municípios de Uraí e Assaí originaram-se a partir de colônias japonesas.

Negros - A população do Paraná tradicional, isto é, do Paraná da mineração, da pecuária, das indústrias extrativas do mate e da madeira, e da lavoura de subsistência , era heterogênia e nela estavam presentes os mesmos elementos que compunham a população das outras regiões brasileiras: o índio, o europeu, o negro e seus mestiços. Portanto, uma sociedade também marcada pela escravidão e na qual foi significativa a participação econômica e social dos escravos negros.
Na primeira metade do século XIX o número relativo de representantes da raça negra chegou a 40% do total da população da Província.
Em Curitiba, o escravo estava presente no trabalho doméstico, mas também tinha lugar importante no cenário cultural da cidade. Eles mostravam seu talento musical participando de "cantos" no largo do mercado municipal.

Poloneses - Os poloneses chegaram ao Paraná por volta de 1871, e fixaram-se em São Mateus do Sul, Rio Claro, Mallet, Cruz Machado, Ivaí, Reserva e Irati. Em Curitiba, fundaram várias colônias que hoje são os bairros Santa Cândida e Abranches. Esse povo ajudou a difundir o uso do arado e da carroça de cabeçalho móvel, puxado a cavalo. Dedicados à agricultura, ajudaram a aumentar a produção do Estado.

Portugueses - No Paraná, a partir de meados do século XIX, destacam-se as grandes levas de portugueses atraídos pela explosão cafeeira do Norte Novo do Paraná, no eixo compreendido entre Londrina, Maringá, Campo Mourão até Umuarama. Grande maioria veio das Beiras (Alta e Baixa), Minho, Trás-os-Montes.
A cidade de Paranaguá foi, e continua sendo até hoje, a cidade do Paraná que tem mais traços da cultura e herança lusitana. Foi a porta de entrada dos portugueses e manteve alguns traços característicos desse legado.

Ucranianos - Os ucranianos chegaram ao Paraná entre 1895 e 1897. Mais de 20 mil Imigrantes chegaram ao Estado e formaram suas principais colônias em Prudentópolis e Mallet. Estão presentes também nos municípios de União da Vitória, Roncador e Pato Branco. Hoje o Paraná abriga a grande maioria de ucranianos que vivem no Brasil: 350 mil dos 400 mil imigrantes e descendentes.